ISBN-13: 9781545049006 / Portugalski / Miękka / 2017 / 460 str.
O jogo, tantas e tantas vezes desvalorizado e vilipendiado, deveria interessar mais o mundo de hoje. Num momento historico em que, particularmente por questoes de seguranca, o homem vive, tao intensamente, as questoes da liberdade, raramente associamos o jogo a ideia e vivencia dessa mesma liberdade. Quando tudo parece centrar-se na eficacia e no rendimento, no trabalho, na competitividade e na cega reducao do defice, numa altura em que impera o passadista, antidemocratico e anti-ludico pensamento de que assim e que esta bem e nao poderia ser de outra forma, numa altura em que e rei o antidemocratico e anti-ludico principio de que "nao ha alternativa," virarmo-nos para o jogo, para o jogo dos homens e para o jogo dos deuses, remete-nos para o confronto com a liberdade, com o novo e o desconhecido, com o diferente, com a alteridade. Um mundo, uma democracia, uma educacao, que nao se abre ao jogo, aos sonhos e aos valores da ilusao, corre o risco de sucumbir a todo esse tipo de totalitarismos que engendram pessoas irresponsaveis, resignadas, conformadas e submissas. O jogo pertence, indubitavelmente, ao reino da liberdade. Como poderia deixar de ter uma funcao libertadora? Ensinamentos profundos os que o jogo, num mundo como o de hoje, nos traz. Mundo onde por excesso de tragedia, homens e sociedade, parecem incapazes de criar valores, parecem incapazes de produzir uma esperanca. Sim, deveriamos levar o jogo mais a serio, deveriamos levar mais a serio essa actividade que, por contraste com as coisas serias da vida, entendemos como actividade nao-seria. Nao podemos continuar a ignorar, nao podemos continuar a desvalorizar, o papel que os jogos, os mitos, os rituais, sempre tiveram, tem, terao, na formacao e desenvolvimento da humanidade. O jogo e uma experiencia primordial que poe o homem, desde o seu nascimento, em contacto com o que e a liberdade e o destino, com o que controla e lhe escapa, com o previsivel e o imprevisivel, com o luminoso e o labirintico, com a sorte e o azar. Afinal, como nos ensina Alexandre Koyre, a civilizacao nao nasce do trabalho, mas do jogo e do tempo livre. Nao podemos continuar a ignorar que a vida e um jogo e que o homem e um Homo vere ludens, da mesma forma que deus, o deus criador, e igualmente um deus verdadeiramente ludico.
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